Folha de São Paulo – 18/08/2026
FolhaMercado – Beatriz Pecinato – Repórter na editoria de Newsletter –
EFEITO DOMINÓ
No pedido de recuperação judicial protocolado pela Casas Bahia, a empresa citou a Selic como uma grande culpada pela desorganização de sua estrutura financeira.
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Em 2019, a empresa se endividou para investir em tecnologia, logística e lojas digitais.
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Desde então, a taxa de juros saltou de 2% para 15% ao ano, o que foi uma facada para o caixa da companhia.
E essa não é uma situação isolada. Diversas varejistas sofrem com os juros a dois dígitos, além de outros fatores que dificultam suas operações. Antes de explicar a situação da Casas Bahia, vamos mergulhar nos problemas do setor.
1️⃣ A Selic
Empresas do segmento precisam tomar empréstimos para oferecer crédito aos consumidores e para financiar suas operações. Pagar as taxas de dívida fica caro, com a Selic a 14% ao ano.
2️⃣ O endividamento
Os brasileiros atingiram níveis recordes de endividamento neste ano. Parte da renda das famílias é usada para honrar esse pagamento, e o peso da dívida faz a população pensar duas vezes antes de comprar produtos mais caros, como eletrodomésticos.
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82% das famílias registraram dívidas em julho, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo.
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29% dos ganhos são direcionados para quitar compromissos financeiros, o maior percentual em pelo menos 20 anos, mostram dados do Banco Central.
Por que chegamos a esse patamar? O custo elevado com itens básicos, como alimentação e moradia, encurta o dinheiro. Muitas pessoas recorrem ao cartão de crédito, ao parcelamento e ao empréstimo para pagar as contas.
Algumas modalidades, como o crédito rotativo, possuem taxas altíssimas de juros. A média entre bancos é de 14,8% ao mês. Como é cada vez mais difícil quitar os compromissos, as famílias deixam de pagá-los.
3️⃣ A concorrência
Aqui, estamos falando principalmente da competição com plataformas de comércio eletrônico.
Varejistas como a Casas Bahia e a Tok&Stok, por exemplo, ainda são muito dependentes de lojas físicas. Os consumidores buscam, cada vez mais, comprar online. Para as companhias, é caro manter as unidades abertas em um momento de menor movimento.
Quem são as principais afetadas? A Americanas deu início à onda de recuperações judiciais, em 2023. Desde então, pelo menos oito companhias do setor recorreram ao instrumento. Juntas, reestruturam R$ 68 bilhões em dívidas.
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Sindal Sindicato da indústria de equipamentos, produtos e serviços para cozinhas profissionais do Estado de SP
