COMO O DELIVERY ESTÁ REDEFININDO A EQUAÇÃO DE VALOR DO FOODSERVICE
MERCADO & CONSUMO – Eduardo Bueno – 11 de março de 2026
O foodservice brasileiro mostrou moderação de consumo em 2025, com implicações diretas para 2026, especialmente em relação à geração de tráfego e ao aumento de frequência de consumo.
Por outro lado, o delivery seguiu um caminho praticamente oposto, com performance robusta nos diferentes canais do setor, crescendo 5% em faturamento, muito acima da média de 1% do setor. O canal é palco de transformações importantes para o ecossistema do foodservice brasileiro, concentrando investimentos significativos de diferentes agregadores. Esse cenário cria oportunidades de crescimento não apenas em mercados já maduros, como as regiões metropolitanas, mas também em localidades menores.
A força do delivery veio tanto das redes como dos operadores independentes: restaurantes por quilo, hotéis, padarias, redes de fast-food. Ou seja, diferentes propostas de produto e de preço, atendendo diversas ocasiões do dia, da semana e às necessidades do consumidor foram atendidas pelo delivery.
Apesar do bom desempenho do canal, o foodservice brasileiro como um todo registrou retração no ano passado. Esse movimento refletiu a redução no número de pessoas consumindo refeições preparadas fora de casa, com maior migração para o preparo de alimentos no próprio lar. Não à toa, marmitas têm ganhado mais relevância e levado preocupações – e oportunidades – ao setor.
O delivery apresenta ticket médio superior à média do setor, mas geralmente é mais barato que o consumo no local de compra. Ou seja, ainda carrega um componente de competitividade, potencializado pela alta conveniência que oferece ao consumidor.
É importante compreender que o delivery cumpre diferentes funções, dependendo do perfil do público analisado, com variações importantes de preço. Ou seja, o nível de renda influencia o padrão e a frequência de consumo no canal. Dessa forma, o delivery contribui para redefinir a equação de valor do foodservice brasileiro.
O modal cumpre duas funções principais para seu público: funcionalidade e indulgência, podendo atender desde o almoço prático no meio da semana até momentos de lazer, como jantares entre amigos ou em família nos fins de semana.
Sob a ótica da funcionalidade, ou seja, da praticidade, o delivery tem potencial de expansão com ofertas de preços mais competitivos. Não por acaso, houve crescimento relevante nos gastos entre restaurantes pequenos, padarias e lanchonetes.
Em termos de indulgência, o delivery apresenta potencial para tickets médios mais elevados, ainda que sob menor recorrência. Nesse contexto, destacam-se o crescimento de redes de fast-food e, principalmente, de restaurantes sofisticados. Vale destacar também a força das redes especializadas em sobremesas, cujo gasto do consumidor cresceu 86% no delivery em 2025, incluindo bolos, sorvetes, milkshakes, entre outros produtos.
Seja pela praticidade, seja pelo prazer associado ao consumo, o delivery demonstra potencial competitivo, em seus diferentes canais, além de versatilidade de preços conforme a oferta, o público e a ocasião. Trata-se de um meio poderoso para aumentar a frequência de compras no setor – um dos fatores que mais têm impactado o tráfego.
O delivery cresceu com força no ano passado, e sua versatilidade carrega variações importantes de elasticidade de preço e renda no dia a dia do consumidor. O canal tem oportunidade de se adaptar ainda mais em termos de posicionamento, com amplo espaço para expansão no Brasil, ajudando a reaquecer e fortalecer no foodservice, que atualmente segue em ritmo moderado.
Eduardo Bueno é gerente de Business Development na Gouvêa Inteligência.
*Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da Mercado&Consumo.
Imagem: Envato
Eduardo Bueno
Economista formado pela USP e pós-graduado em Gestão de Projetos pelo Insper, atualmente é coordenador de projetos na Mosaiclab e responsável pelo projeto CREST no Brasil. Tem experiência no mercado financeiro, consultoria macroeconômica, Analytics, Compras, além de implementação de projetos de SAP. Atua com inteligência de mercado desde 2015 e, desde 2017, com o setor de Foodservice, com passagem em um dos maiores operadores do setor no país.
Sindal Sindicato da indústria de equipamentos, produtos e serviços para cozinhas profissionais do Estado de SP