KEETA REVELA ESTRATÉGIA PARA CONQUISTAR O MERCADO BRASILEIRO

CEO da Keeta revela estratégia para conquistar o mercado brasileiro

Portal B&R – Foto: Jhonie Melo – 04-11-2025
entregadores como diferencial competitivo.
Em entrevista exclusiva para a B&R, CEO da Keeta explica quais são as expectativas, planos e estratégias que a gigante do delivery chinês tem para o país
José Eduardo Camargo 29/10/2025
Com uma trajetória marcada por ousadia estratégica e domínio tecnológico, Tony Qiu chega ao Brasil como CEO da Keeta com uma missão ambiciosa: desafiar a hegemonia do iFood e transformar o mercado de delivery. Ex-CEO da 99 e atual vice-presidente da gigante chinesa Meituan, Qiu lidera a operação brasileira da Keeta, braço internacional da empresa que processa mais de 80 milhões de pedidos por dia na China.
À frente de um plano de investimento de R$ 5,6 bilhões, ele aposta em eficiência, tecnologia proprietária e parceria com restaurantes e entregadores para conquistar mil cidades até 2026. Com olhar afiado para o potencial do mercado nacional e críticas à concentração do setor, Tony Qiu representa uma nova era de competição e inovação no food service brasileiro
Confira a entrevista exclusiva do CEO da Keeta, Tony Qiu, à B&R:
B&R: Qual é a estratégia da Meituan para o Brasil? 
Tony Qiu: O Brasil é um mercado muito importante para nós, o quinto maior do mundo depois de China, EUA, Reino Unido e Coreia do Sul, e está crescendo muito rápido. Hoje, o mercado brasileiro de delivery movimenta cerca de 12 bilhões de dólares e cresce 20% ao ano. Nossa meta é superar o Reino Unido e nos tornar o quarto maior mercado global. Nosso plano é de longo prazo, com investimento de 5,6 bilhões em cinco anos. Queremos construir um piloto de qualidade na cidade de Santos, com boa experiência e equipe afinada, antes de lançar em outras cidades. Nossa estratégia é oferecer um serviço melhor para consumidores, restaurantes e entregadores, usando tecnologia e operação para agregar valor a todos.
Como a Meituan pretende ajudar bares e restaurantes a crescerem? 
No Brasil, o mercado é muito fragmentado, com muitos restaurantes pequenos. Nos EUA, as grandes redes representam 40% das vendas, mas aqui são apenas 10%. Por isso, desenvolvemos ferramentas digitais para ajudar pequenos restaurantes a crescerem e melhorarem seus lucros. Temos uma equipe dedicada a dar suporte até aos menores restaurantes, não só as grandes cadeias. Queremos que todos tenham acesso a bons serviços e possam competir de forma justa.
B&R: Quais são os principais oportunidades para o delivery no Brasil? 
Tony Qiu: Hoje, estimamos entre 50 e 60 milhões de consumidores ativos de delivery no Brasil, e acreditamos que esse número pode dobrar. Atualmente, cada consumidor faz cerca de três pedidos por mês, mas nossa expectativa é que essa frequência também aumente, como já acontece em outros mercados, como China e Arábia Saudita.

Para que isso aconteça, precisamos tornar o serviço mais relevante, especialmente no horário do almoço, onde a penetração ainda é baixa no Brasil. Parte disso é cultural, pois as pessoas gostam de sair e socializar, mas também há questões operacionais: muitos têm apenas uma hora de almoço e, se o pedido não chega a tempo, acabam desistindo.

Por isso, é fundamental que os restaurantes consigam preparar a comida mais rápido e, do nosso lado, aprimoramos nossos algoritmos para garantir entregas ágeis e estimular a demanda. Também é importante melhorar a embalagem para manter a qualidade dos alimentos. Na China, ajudamos restaurantes a separar linhas de produção para delivery e loja física, aumentando a eficiência. Para isso, teremos contato muito estreito e personalizado com os restaurantes no Brasil.
B&R: Qual é a estratégia da Keeta para embalar bem (o chamado packaging)? 
Tony Qiu: Embalar bem a comida é fundamental. Os consumidores brasileiros gostam de carnes, picanha, mas muitas vezes esses alimentos chegam frios. Por isso, a qualidade da embalagem e o cuidado com o preparo são essenciais. Na China, acumulamos muita experiência trabalhando com restaurantes para melhorar embalagens e processos. Lá, muitos estabelecimentos já separaram as linhas de produção para o salão e para o delivery, tornando a operação mais eficiente sem prejudicar a experiência presencial. Trabalhando juntos, conseguimos aumentar a eficiência, acelerar o preparo e, com o suporte dos nossos algoritmos, entregar refeições em melhores condições para os consumidores.
B&R: Que tecnologias a Meituan pretende trazer para o Brasil? 
Tony Qiu: Na China, oferecemos CRM (programa de gestão de relacionamento com os clientes) para restaurantes, permitindo que eles gerenciem pedidos, pagamentos e campanhas de marketing pelo celular. Também temos serviços de compras e cupons para atrair clientes. Mas a tecnologia mais importante é o algoritmo de logística, que otimiza o despacho dos pedidos para os entregadores. Com 80 milhões de pedidos diários na China, treinamos nossos modelos para saber quando e para quem despachar cada pedido. No Brasil, vamos precisar de alguns meses para treinar os dados locais. A Inteligência Artificial pode ajudar os restaurantes a criarem campanhas personalizadas e analisar resultados. Para os consumidores, lançamos uma ferramenta que recomenda pratos e restaurantes com base em preferências e comportamento, já disponível na China e em breve no Brasil.Forma
B&R: Como a Meituan lida com a competição e exclusividade no mercado brasileiro? 
Tony Qiu: Nosso diferencial está na eficiência logística, na abertura de mercado e no cuidado no relacionamento com os restaurantes e entregadores. Não trabalhamos com exclusividade e queremos que todos possam usar todas as plataformas. Acreditamos que a competição saudável deve ser baseada em produto, operação e tecnologia, não apenas em subsídios ou bloqueio de restaurantes.
B&R: Quais são as políticas de pagamento e apoio financeiro para restaurantes? 
Tony Qiu: Sabemos que pequenos restaurantes têm fluxo de caixa curto, então estudamos oferecer antecipação de pagamentos com taxas competitivas. Para financiamentos específicos, como cozinhas exclusivas para delivery, estamos avaliando parcerias e formas de medir os riscos, pois ainda não temos esse serviço no Brasil. Os pequenos restaurantes às vezes precisam entregar a distâncias maiores para acessar mais clientes. O custo do delivery é alto, então precisamos ser eficientes para reduzir esse custo e tornar o serviço acessível.
B&R: Como a Meituan pretende apoiar restaurantes pequenos e independentes? 
Tony Qiu: Nossa força está em servir milhões de restaurantes pequenos na China, e queremos replicar isso no Brasil. Temos um manual de boas práticas e ferramentas para treinar restaurantes, ajudar na gestão de menus e campanhas de marketing. O contato é pessoal e digital, com equipes dedicadas a apoiar o crescimento dos negócios locais.
B&R: Qual mensagem você deixa para os restaurantes brasileiros neste momento? 
Tony Qiu: Queremos trabalhar com todos os parceiros, considerando tanto consumidores quanto restaurantes como clientes. Nossa tecnologia, operação e experiência podem ajudar restaurantes a crescerem, aumentarem lucros e conquistarem mais clientes. Buscamos construir um negócio sustentável, onde todos os envolvidos no ecossistema sejam beneficiados.

Sobre Sindal

Entidade sindical patronal da indústria do Estado de São Paulo, oficializada pelo MTE em 25 de janeiro de 1999, o SINDAL congrega, defende e representa os interesses das empresas que se dedicam à atividade econômica de projetar, fabricar, montar, suprir e dar manutenção em equipamentos e produtos para cozinhas profissionais e para a infraestrutura física de produção de alimentos servidos pelo setor do foodservice em geral.

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