FOODSERVICE ATINGE PATAMAR HISTÓRICO NO 2º TRIMESTRE

Foodservice acelera no 2º trimestre e atinge patamar histórico
Eduardo Bueno – 12 de agosto de 2026 – Mercado & Consumo
O Brasil segue em um paradoxo econômico: os indicadores macroeconômicos são positivos – baixa taxa de desocupação, rendimento médio real em suas máximas histórias e inflação em patamares civilizados, com números ainda melhores para a alimentação dentro do domicílio. Por outro lado, os números da inadimplência das famílias têm pesado sobre o consumo, impactando o foodservice.
Apesar desse cenário complexo, o setor atingiu novo patamar histórico de gasto no 2º trimestre de 2026, totalizando R$ 62,9 bilhões gastos pelo consumidor, um crescimento de 1% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado foi reflexo exclusivo do aumento de 5% no ticket médio individual do setor, apesar da queda de 4% no tráfego. Os dados são da pesquisa Crest, estudo conduzido há mais de 11 anos pela Gouvêa Inteligência no Brasil e criado há mais de 50 anos nos Estados Unidos.
O tráfego, ou seja, o fluxo de pedidos, tem sido mais desafiador, mas apresentou a menor queda dos últimos 12 meses. Esse resultado depende de dois fatores: penetração (incidência) do setor e frequência.
A penetração significa, na prática, quantas pessoas estão consumindo, de fato, no dia a dia. Esse número avançou 8% entre o segundo trimestre de 2025 e 2026, um alento em meio à queda na quantidade de pedidos. Entretanto, não basta aumentar a quantidade de pessoas consumindo no setor. É necessário que elas consumam mais vezes ao longo do dia, da semana, do mês, ou seja, é necessário que haja maior frequência de consumo.
Ao analisar os dados de frequência do foodservice brasileiro, observa-se uma redução entre 2025 e 2026. Ou seja, ainda que existam mais pessoas consumindo no setor, elas compram cada vez menos ao longo da semana e do mês. Esse é o principal desafio: o tráfego depende do aumento de frequência para crescer.
Mesmo nesse cenário moderado de visitas, alguns canais se destacaram em consumo. Redes de empratados, self-service, restaurantes de low check, conhecidos como prato feito, o famoso PF, e ambulantes cresceram com força em tráfego. O resultado reflete o retorno massivo ao trabalho presencial, mas também um consumidor mais consciente dos preços que está pagando, já que promoções e preços baixos são característicos de alguns desses canais.
Entre as ocasiões de consumo, o almoço apresentou crescimento de destaque, enquanto sábados e domingos mostraram performance positiva. As refeições noturnas, além das quintas e sextas-feiras, foram os principais desafios do setor no segundo trimestre.
O delivery segue em trajetória ascendente, registrando seu segundo maior patamar histórico de gasto do consumidor e disputando espaço com o consumo no local de compra, que também apresentou crescimento no período.
Apesar dos desafios ainda existentes no tráfego, o foodservice brasileiro continua a mostrar resiliência e capacidade de se adaptar aos novos hábitos e comportamentos do consumidor. O retorno ao trabalho presencial não reduziu o consumo por delivery, fortalecendo ocasiões de consumo complementares. Já os canais e as ocasiões do cotidiano e de preços acessíveis mostraram força no segundo trimestre.
A estratégia de cada elo da cadeia de valor do foodservice deve ser pensada de forma conjunta com os parceiros de negócios, como indústria, distribuidor, operador, prestadores de serviços em conjunto, e não isoladamente. O foco deve estar em conveniência, preço acessível e vantagens para o consumidor, que segue ávido para consumir, mas cada vez mais racional sobre como utilizar seu dinheiro.

Eduardo Bueno é gerente de Business Development na Gouvêa Inteligência.

Imagem: Envato

Economista formado pela USP e pós-graduado em Gestão de Projetos pelo Insper, atualmente é coordenador de projetos na Mosaiclab e responsável pelo projeto CREST no Brasil. Tem experiência no mercado financeiro, consultoria macroeconômica, Analytics, Compras, além de implementação de projetos de SAP. Atua com inteligência de mercado desde 2015 e, desde 2017, com o setor de Foodservice, com passagem em um dos maiores operadores do setor no país.

Sobre Sindal

Entidade sindical patronal da indústria do Estado de São Paulo, oficializada pelo MTE em 25 de janeiro de 1999, o SINDAL congrega, defende e representa os interesses das empresas que se dedicam à atividade econômica de projetar, fabricar, montar, suprir e dar manutenção em equipamentos e produtos para cozinhas profissionais e para a infraestrutura física de produção de alimentos servidos pelo setor do foodservice em geral.

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